segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A oligarquia não quer Bolsonaro


Algumas pessoas estão surpresas com o fato da grande imprensa corporativa estar atacando o deputado Jair Bolsonaro. Mas eu não vejo motivo algum para surpresa. Bolsonaro nunca fez parte do clubinho de políticos queridinhos da nossa oligarquia. Os políticos queridinhos da nossa elite econômica sempre foram filiados aos PSDB e DEM. Bolsonaro, mesmo com esse discurso recente de aproximação com o mercado, não consolida confiança na direita rentista. Bolsonaro não é lucidamente subordinado ao mercado, por isso a desconfiança da elite. Pelo histórico controverso e pelo seu discurso tragicômico de apelo populista, o deputado do PSC mostra-se como um candidato caricato: um autêntico bobo da corte. Além disso, Bolsonaro não apresenta um plano de governo sólido para tirar o país da crise. O conhecimento dele sobre economia, por exemplo, é pífio. As pessoas que pretendem votar no Bolsonaro estão seduzidas por uma solução simplista e reducionista para os problemas do Brasil. Só que para tirar o Brasil deste mar de lama é necessário muito mais que uma simplificação grosseira de projetos do campo legislativo.
Mas o que realmente assusta a nossa burguesia é que Bolsonaro está colocando o sério risco de termos no segundo turno de 2018 uma disputa entre a centro-esquerda e a extrema-direita. Sem um candidato neoliberal de confiança para disputar as eleições, a alta burguesia poderá se sentir forçada a destruir todo o sistema presidencialista implantado após a redemocratização para que seus interesses sejam atendidos. 


Enfim, o que o "mito" precisa se preocupar mesmo é com a fatia fascistoide de seu eleitorado que enxerga nele um sinal verde para exteriorizar impunemente discursos de ódio contra minorias. É essa gente que acaba passando dos limites e termina naturalizando o discurso preconceituoso e extremista. Bolsonaro pode se arrepender amargamente por estar surfando na onda do fascismo, porque uma vez solta, a besta do fascismo torna-se incontrolável. 


O fato é que Bolsonaro não é solução para nada no atual momento de instabilidade geopolítica que estamos vivendo.

domingo, 19 de novembro de 2017

Dois milhões de acessos!


Neste dia 19 de novembro de 2017, o blog Ideias Embalsamadas atingiu a marca histórica de dois milhões de visualizações. O primeiro milhão de visualizações ocorreu em março de 2016, tendo também um post comemorativo. O fato interessante é que o primeiro milhão de acessos levou quase cinco anos para acontecer. Já este milhão seguinte levou menos de dois anos. Isso mostra que este humilde bloguinho está crescendo na blogosfera e consolidando o seu espaço na web. E é claro que esta marca histórica não teria sido atingida se não fosse pela presença assídua e fiel dos leitores, seguidores, comentaristas, apoiadores, curiosos e até haters. Pois é, até essa gente que vem aqui para xingar e dizer desaforos nos comentários também contribuiu para este recorde de visualizações.

Mato a cobra e mostro o pau (clique para ampliar)

Algumas pessoas podem achar este número de dois milhões de visualizações pequeno tendo em vista que grandes youtubers conseguem esta mesma quantidade de visualizações em um único vídeo. Mas acontece que o blogger não é o YouTube. Vivemos num país onde pouca gente lê – e a maior parte do conteúdo de um blog é escrita. Além disso, o YouTube é uma grande plataforma de multimídia cheia de anúncios e de pessoas trabalhando por trás dos grandes canais. Aqui no blog, não. O trabalho aqui é um trabalho de formiguinha. É um trabalho solitário, quase artesanal, que exige tempo e dedicação diária. E, para piorar, o conteúdo deste blog é subversivo, revolucionário, progressista. Ao contrário do que dizem os meus opositores, não tenho financiamento, não tenho patrocinadores e não tenho anúncios. Tudo é feito gratuitamente com paixão, com entrega, com dedicação. É um caminho sinuoso e exaustivo que tenho percorrido dia após dia nesta minha valente missão de desalienar as pessoas e de trazer um pensamento crítico, reflexivo e fora do senso comum.

Se visualização fosse dinheiro...

A partir de fevereiro do ano que vem (2018), vou deixar de postar diariamente para me dedicar a outros aspectos da minha vida até então negligenciados ou deixados em stand by. O blog vai continuar ativo após fevereiro, mas sem postagens diárias como tem sido desde janeiro de 2016. Isso me dará tempo para estudar mais, para ler mais e para desenvolver projetos que ajudarão a trazer mais conteúdo para este blog.

Posts mais lidos no blog

Quanto às estatísticas, só aquela postagem sobre a morte foi responsável por quase um terço de todas as visualizações do blog, tendo somente ela quase 600 comentários. E falando em comentários, foram mais de 4300 ao todo. Porém, devido ao alto índice de ofensas, de comentários criminosos e de spam, tive que estabelecer uma moderação – fato este que irrita muitos trolls que me acusam de ser um "ditador" (rarará). A imensa maioria das visualizações vem do Google seguido pelo Facebook. Já os países que mais trazem visitas ao blog além do Brasil são Portugal, Estados Unidos e Rússia. O blog conta até o momento com 102 seguidores e recebeu links permanentes em outros blogs parceiros.

Dancinha para comemorar os 2 milhões

Pois bem, agradeço enormemente a todos que participaram e participam da história deste blog, seja apoiando, comentando, indicando, trazendo guest posts ou simplesmente acessando, porque é graças a todos vocês que me mantenho motivado a continuar escrevendo. Muito obrigado aos amigos, aos aliados, aos leitores, aos visitantes e a todos que, de alguma maneira, participaram da construção do Ideias Embalsamadas.

Assim como a Sasha, eu também amo todos vocês!

Um abração a todos!

Namastê!

Valeeeeu!

sábado, 18 de novembro de 2017

Quem ganhará a Copa?


Eu costumo errar onze em cada dez previsões que faço sobre futebol, mas desta vez acredito não estar tão errado assim. Isso porque a atual conjuntura futebolística está muito evidente.

Primeiramente, eu não acredito que a Alemanha vença este mundial de 2018. Isso porque a seleção alemã, por ser a maior favorita, será consequentemente a mais caçada e também aquela contra a qual os adversários mais superar-se-ão ao enfrentar. Um técnico cuidadoso saberá montar pacientemente um sistema defensivo que jogue em cima das fraquezas dos alemães, anulando seus espaços. Todo mundo quer vencer a Alemanha. E todo mundo fará o melhor para isso. A Alemanha de 2018 deverá ser mais ou menos como a Espanha de 2014: cheia de favoritismo, mas duramente marcada e combatida.

O Brasil, na minha opinião, também não vencerá o mundial por razões semelhantes a da Alemanha, só que com o agravante de não ter um time tão bom quanto o dos germânicos. A seleção brasileira, apesar dos bons resultados e do bom treinador, me pareceu bastante medíocre e insegura. Se eu fosse apostar, diria que o Brasil cairá fora ou nas oitavas, ou nas quartas de final.

Quanto às seleções africanas, asiáticas e caribenhas, elas não têm a menor chance de vencer qualquer mundial. As seleções sem favoritismo dificilmente chegarão às quartas de final pela falta de tradição, de estrutura, de técnica e de organização tática. Já as sul americanas enfrentarão um clima adverso e o tabu de nunca terem vencido uma Copa na Europa (exceto o Brasil em 1958) – além de estarem bem mal das pernas.

Então o que restam são as seleções tradicionais europeias. Se eu fosse apostar, diria que a campeã mundial estará entre Portugal, Espanha, França ou Inglaterra. Se a Holanda e Itália estivessem presentes, também fariam parte desse grupo. É possível que já nas quartas de final tenhamos somente seleções europeias, transformando a segunda fase da Copa do Mundo numa mini Eurocopa.

Enfim, esta será a Copa das seleções europeias.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A direita não sabe nem o que é a esquerda


Hoje eu pretendia publicar um post falando sobre o almirante Othon Pinheiro. Porém, como o meu tempo está muito curto para um post mais elaborado, vou deixar uma pequena reflexão sobre a nossa direita.

Muitas das pessoas que se dizem de direita insistem em dizer que a Globo é comunista porque difunde a "ideologia de gênero"; que o nazismo era de esquerda porque o Estado nazista era grande e intervencionista; que a Hillary Clinton era de esquerda porque estava contra o doido do Trump; que o PSDB é "socialista fabiano" por defender a liberação da maconha; que a Veja é de esquerda por atacar o Bolsonaro; entre outros absurdos. E esse é o grande problema da direita: o seu total analfabetismo político. Os ataques lançados contra a esquerda são inócuos porque não é a esquerda que está sendo atacada. O que está sendo atacado é um espantalho, uma espécie de "esquerda imaginária" criada pela direita. O irônico é que as críticas mais contundentes contra a esquerda vêm da própria esquerda. A direita bocó nem sonha com o que de fato é a esquerda. Como alguém pode criticar o que não conhece?



Então, para o bem do debate, se você é de direita, por favor, estude um pouquinho antes de passar vergonha.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Os caminhos para a revolução


Muitas pessoas dizem que o Brasil só tem jeito através de uma revolução. E essas pessoas realmente estão certas. Só uma atitude profundamente revolucionária salvará o Brasil dessa loucura toda que estamos vivendo. Mas o problema todo aqui é um só: quando e como fazer uma revolução?

E se fizéssemos uma revolução agora?
Se um bando de guerrilheiros tomar o poder hoje com a proposta de reverter as reformas golpistas e governar em prol da igualdade, da justiça social e do nacionalismo, pode ter absoluta certeza de que eles serão arrancados do poder em poucas horas. E a população trabalhadora será a primeira a hostilizar uma revolução de esquerda. Isso por duas razões. Primeiro que o povo está completamente alienado devido à lavagem cerebral cultural e midiática. E segundo que as nossas oligarquias juntamente com os EUA acionariam todos os recursos disponíveis para conter a revolução. A mídia burguesa atacaria 24 horas por dia os revolucionários e instigaria um levante da população contra o novo governo. Os EUA entrariam em seguida com apoio militar e logístico para lutar ao lado das forças armadas brasileiras contra o governo revolucionário. A revolução não passaria de um levante frustrado que só serviria para justificar uma nova ditadura fascista que viria em seguida como resposta. E, dessa maneira, toda a esquerda seria criminalizada e jogada para a clandestinidade por décadas mais uma vez.
Este não é um bom momento para revoluções. Uma revolução só seria viável se, primeiro, tomássemos algumas medidas que preparassem o terreno para tal. E essas medidas passariam obrigatoriamente por reformas em dois setores fundamentais controlados pela burguesia.


Duas frentes de combate: a mídia e a educação
Todas as grandes revoluções tiveram um trabalho ideológico muito forte por trás delas para trazer a população para o seu lado. No caso do Brasil, precisaríamos primeiro desalienar as pessoas, especialmente a classe proletária. E esse trabalho só pode ser feito destravando dois setores controlados a rédeas curtas pela burguesia que são a mídia e a educação.

A mídia brasileira é controlada por meia dúzia de oligarcas que fazem conluio com a alta burguesia plutocrata nacional e internacional. A solução para destruir esse monopólio da informação controlado pela burguesia é justamente a tão falada democratização dos meios de comunicação de massa. Sem uma mídia plural com espaço para o contraditório, será impossível qualquer deslavagem cerebral. Precisamos de mais canais, jornais e emissoras de cunho progressista para mostrar o outro ponto de vista da história e da realidade.


Já a educação brasileira é voltada para criar técnicos e profissionais especializados. O que aprendemos na escola é basicamente a decorar fórmulas, datas e conceitos para concorrer a uma vaga no mercado de trabalho no futuro. Nós não temos no Brasil uma educação que estimule o pensamento crítico, que ensine noções fundamentais de política ou legislação, que ensine cidadania, direitos e deveres. A nossa educação é totalmente controlada pela burguesia e pelo pensamento capitalista. Não se desenvolve uma consciência social, uma consciência de classe ou uma consciência humanitária no nosso atual sistema de ensino. E como parte da burguesia sente que a internet está despertando justamente esse senso crítico e pluralista em muitas pessoas, então começaram a surgir ideias e propostas absurdas para controlar e censurar a educação e a arte. Além da direita reacionária associar a arte progressista à degeneração dos costumes, também está implantando medidas autoritárias como a "escola sem partido" para atacar todo e qualquer pensamento subversivo. Esse avanço truculento da direita é, em parte, desespero, porque o sistema capitalista está em crise e o zeitgeist (espírito da época) está mudando. E a educação precisa acompanhar essa mudança.

O fator patriótico
Mesmo se a educação fosse libertadora e se a mídia fosse regulamentada, ainda teríamos empecilhos graves a qualquer pensamento revolucionário. O mais grave de todos é a nossa submissão econômica e cultural aos EUA. Para os EUA, já basta ter que aturar o crescimento da China. Imagine então aturar o crescimento de outra superpotência bem no seu quintal... Então seria necessário também criar uma visão profundamente nacionalista e patriota do Brasil para desconstruir esse nosso complexo de vira-latas. Ser patriota, ao contrário do que dizem alguns "bundas sujas" por aí, não é "combater o comunismo". Ser patriota é defender a nossa soberania, o nosso povo, as nossas riquezas, a nossa cultura, a nossa tecnologia e criar símbolos nacionais dos quais possamos nos orgulhar. O Brasil precisa pensar alto e ser independente. Não temos as dimensões geográficas e a riqueza que temos para ser um país subdesenvolvido e explorado.

O fator internacional
O Estado burguês, da forma como está consolidado no país, não permite que as vozes das massas sejam ouvidas diante do lobby e do poder do dinheiro. Isso torna reformas na educação e na mídia praticamente impossíveis de serem feitas. E a saída para esse travamento interno é internacional. O mundo está passando por um período de turbulência geopolítica muito forte. São golpes na América Latina (Brasil e Paraguai), golpes no Oriente Médio (Arábia Saudita), golpes na África (Zimbábue), tensão nuclear na Coreia, extrema-direita crescendo no mundo, disputas brutais na Síria, Estado Islâmico em evidência... E desde as eleições de Donald Trump que os EUA também estão atravessando certa instabilidade. Essa instabilidade – além de indicar um abalo no sistema capitalista – aponta para o risco iminente de uma mudança na conjuntura geopolítica global. Se essa mudança ocorrer, é possível que ocorram novas revoluções pelo mundo, inclusive nos próprios EUA. E como tudo que ocorre nos EUA costuma ser "imitado" pelo resto do mundo, esta poderia ser a oportunidade ideal para fazer uma mudança profunda na nossa política. Somente assim teríamos condições de sair dessa sinuca de bico rumo a um país melhor. Além disso, temos que fazer alianças com potências que não compactuam com o imperialismo, tais como Rússia e China.


O fator decisivo
Com a maior parte da população desalienada e com o Brasil realmente independente, aí, sim, seria possível um trabalho político e ideológico nas ruas, na web, nas universidades, na imprensa, nos sindicatos e até nas forças armadas para que as pessoas entendam a necessidade da mudança. Somente aí é que haveria a possibilidade de se fazer uma revolução.


Tudo isso que foi proposto não foi para fazer uma revolução sangrenta, mas sim para fazer uma revolução que torne o Brasil um país digno para todos os brasileiros – e não apenas para oligarquias rentistas que odeiam o próprio país. Só nos tornaremos uma democracia quando a nossa população tiver consciência política e souber defender os seus interesses e os seus direitos. É preciso romper com o pensamento colonial, escravista, elitista e individualista para que possamos construir uma nação verdadeiramente justa e inclusiva.