Esta postagem marca o início de uma nova série neste blog: uma série sobre os jogos de videogame que foram mais importantes na minha vida. Ao contrário do que dizem os mal humorados, os games são, sim, uma forma de arte. Da mesma forma que um filme ou uma música podem marcar as nossas vidas, um bom jogo de videogame também pode ser inesquecível. Por isso, os jogos que serão mostrados nesta série serão tratados como verdadeiras obras de arte.
Esta série não terá uma sequência linear, sendo publicada aleatoriamente quando eu tiver vontade de escrever sobre algum jogo específico. Eu farei uma abordagem que irá incluir uma análise e as razões pelas quais esses jogos marcaram a minha vida. E o primeiro jogo desta série será um dos melhores e mais imersivos que joguei em toda a minha vida, o maravilhoso Life is Strange (ou LiS).
![]() |
Max (à esquerda) e Chloe (de cabelo azul) são as personagens centrais do game |
Lembro-me que quando ouvi falar deste jogo pela primeira vez, já me senti impulsionado a conhecê-lo. Jogos que simulam a vida real, que possuem um bom enredo e que nos dão escolhas que levam a consequências sempre me atraíram. Jogos como Heavy Rain, Beyond Two Souls e Last of Us são exemplos disso. Apesar de nunca ter jogados esses três games por eles serem exclusivos do Playstation, eu sempre tive muita vontade de vivenciar suas histórias. Enfim, o fato, como citei, é que a ideia do game Life is Strange me atraiu logo de cara, principalmente por ele ter sido inspirado no meu filme favorito, o Efeito Borboleta.

![]() |
A amizade entre amigas de infância é algo bem explorado no game |
O game
Life is Strange é um game de drama e suspense protagonizado pela estudante Max Caulfield, uma recém chegada no curso de fotografia da renomada Blackwell Academy, que fica na pequena cidade litorânea de Arcadia Bay. O enredo gira em torno de dramas adolescentes, intrigas familiares, amizade, romance, drogas, assédio, abuso, bullying, suicídio, eutanásia, viagens no tempo, teoria do caos, efeito borboleta, bissexualidade e algumas reviravoltas e surpresas na história. É um enredo complexo e muito bem escrito. As músicas do jogo são muito boas e a dublagem é maravilhosa. O que temos no fim das contas é uma espécie de filme interativo, onde interagimos com pessoas e objetos de forma muito semelhante a um RPG. O game pode parecer parado e monótono para quem gosta de ação, mas como o objetivo do jogo é envolver emocionalmente o jogador, quem for jogar este game deve estar ciente que ele não tem a proposta de atingir o público alvo 'hard gamer'. Este game é uma obra de arte que deve ser desfrutada nos mínimos detalhes e com a sensibilidade ativada no nível máximo para captar cada pequena sutileza do enredo.
![]() |
O bullying é um dos temas abordados no game |
Minhas impressões
Logo no início deste game eu tive um déjà vu muito bacana quando vi a sala de aula de Max Caulfield. A sala com janelas grandes, mesas grandes e cheia de cartazes me lembrou muito o meu primeiro período na faculdade de desenho industrial. Talvez pelo curso de fotografia estar num ramo muito próximo ao do design, tenham tantos elementos em comum entre um e outro.


Ocorreram alguns momentos no game em que eu fiquei com os olhos cheios de lágrimas porque há um apelo emocional muito forte e você se sente parte de tudo aquilo. Este game foi primeiro jogo de videogame que me emocionou de verdade, e olha que eu sou um marmanjo com mais de trinta anos que tomou muita porrada da vida. Isso prova que é possível criar um jogo que seja belo, divertido, emocionante, imersivo e inesquecível sem precisar apelar para gráficos estupendos ou ação desenfreada. Apesar dos mal humorados andarem dizendo por aí que o game é um "simulador de depressão cheio de marasmo", acho que ele está mais para uma novela teen feita para nos fazer rir e chorar. O game traz uma mistura de sentimentos bons e ruins que tocam as pessoas mais sensíveis devido a sua sutileza.
![]() |
Os momentos tristes do jogo são de partir o coração |
O final
Os finais de Life is Strange estão entre os melhores que já vi em um jogo de videogame. O game impõe um dilema moral muito cruel no final, dando a opção entre dois finais muito tristes. Um dos finais é meio frustrante, já o outro é bem amargo. O mais dolorido deles é capaz de despertar a criancinha chorona dentro do jogador por mexer justamente onde dói mais. Algumas pessoas consideram os finais polêmicos, mas na minha opinião eles são coerentes com as escolhas que fazemos ao longo do game. O fato é que vale, sim, jogar todo o game para se deparar com o resultado final da história vivida por você. O interessante seria terminar o jogo duas vezes escolhendo os dois finais diferentes.
Por que este game foi inesquecível?
Este game tem o mérito de fazer o jogador se apegar aos personagens e se envolver com o enredo. Nós nos tornamos agentes ativos na história e tudo que fazemos traz consequências. É divertido e surpreendente ver a reação dos personagens a nossas ações, ainda mais quando podemos voltar no tempo e desfazer as ações anteriores. Mas o que realmente me impressionou em Life is Strange foram as lições de vida que o jogo passa indiretamente. Aspectos como o valor da amizade, a importância do respeito às pessoas, o sexismo, o perigo das drogas, os abusos contra as mulheres e outros temas bastante recorrentes em discussões progressistas nos mostram uma parte cruel da realidade que precisa ser posta em debate. Além de emocionar, Life is Strange ajuda o jogador a refletir sobre vários fatos da vida. E acho que só por isso já vale a pena ter essa obra de arte na sua coleção. A experiência pessoal que este game traz é única devido às reflexões que ele nos induz a fazer.
![]() |
Max descobrindo seus super poderes pela primeira vez |
Para terminar, deixo o melhor trailer que vi do game, criado por um fã e inspirado na abertura do seriado Friends.
0 comentários:
Postar um comentário