sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O presidente usurpador e a volta do autoritarismo


Ontem eu vi um cidadão comentar num post qualquer do Facebook que Temer é um ditador. Eu concordei em partes. Temer usurpou o poder através de um golpe comprado, está tomando medidas totalmente antidemocráticas e está se safando de maneira absolutamente canalha da justiça. Ditadores costumam fazer essas três coisas, mas ainda estão faltando a censura da imprensa, a permanência vitalícia no cargo (sem eleições) e o uso da coerção para esmagar os opositores. Porém, pelo medo que Michel Temer tem de perder o foro privilegiado, eu não duvido que, em mais uma trambicagem política, ele dê um "jeitinho" de se manter na presidência para além de 2018. E aí, sim, com a democracia totalmente mutilada, ele poderá abrir as portas para formas mais agressivas de governo. E isso seria tão perigoso quanto uma ditadura militar.


A alta burguesia já percebeu isso e, pelos níveis de aprovação de Temer, há, sim, o risco, ainda que minúsculo, de um levante popular. É melhor para a burguesia que ela tente retomar o controle do Estado de forma legal antes que ocorra uma insurreição popular e esse jogo vire contra ela. E o risco maior nisso tudo está no aumento de tributos que será inevitável a longo prazo. Então imagine um presidente altamente impopular, que está reduzindo os programas sociais, que está trazendo o Brasil de volta para o mapa da fome, que faz vista grossa para relativização do trabalho escravo, que é completamente corrupto e que ainda aumenta os impostos para sustentar a corrupção de seus comparsas... O aumento de impostos seria o grande estopim para uma revolta dentro da classe média. Esses neoliberais de apartamento, por exemplo, iriam todos enlouquecer com uma medida dessa, já que, para eles, imposto é roubo – e nesse caso, até eu concordaria com eles. Isso tudo sem falar no desemprego e na violência, que tendem sempre a crescer em governos incompetentes e corruptos.


O fato é que Michel Temer está colocando o Brasil numa situação perigosa que poderá trazer a volta do autoritarismo em breve. Enquanto a democracia não for restaurada, jamais teremos uma normalidade institucional neste país.
Diretas já!

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Diga-me com quem andas e te direi quem és!

Não tenho nada a declarar neste post, porque as imagens a seguir falam por si só. Cada um que tire as próprias conclusões.

Primeiro, veja com quem anda o "mito":







Agora, veja com quem anda o "ladrão":







quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O melhor texto sobre moralismo que já li


Como já cansei de repetir aqui, o moralismo é uma doença: uma praga que só serve para manter intocado tudo aquilo que há de pior na espécie humana. Esses boçais que protestaram contra o homem pelado no museu, contra as brincadeiras de criança fora do padrão heteronormativo e contra os livros "doutrinadores do MEC" são todos uns apedeutas que perpetuam, mesmo sem querer, o véu da hipocrisia que protege a pedofilia, o estupro, a misoginia, a homofobia e o fanatismo religioso no mundo. Esse moralismo medieval que só serve para culpar as vítimas e manter preconceitos históricos intocados é o maior câncer da nossa sociedade. Ao vetarem o questionamento, a crítica e o conhecimento científico, essa turba de apedeutas que usam as crianças e a religião como escudos para blindar a própria hipocrisia só consegue tornar o mundo um lugar ainda pior.
Posto isso, o texto que vou deixar a seguir é um desabafo sincero da Dalvinha Brandão onde todas as vísceras da hipocrisia da nossa sociedade são expostas sem nenhum falso pudor. O texto é tão bom que digo, sem medo, que foi o melhor texto sobre (falso) moralismo que eu já li. Segue na íntegra:

Indecente é o seu moralismo

"O moralismo cria o contexto perfeito para o abuso sexual de crianças. Não é a nudez. Não precisa de gente pelada para haver abuso. Precisa da intenção de abusar, pode acontecer de roupa.

Uma amiga foi abusada pelo tio. Ela era pequena, o tio colocava ela no colo, na sala, diante da família toda. Ficava de pau duro, se esfregando nela. Um dia ela foi fazer uma pergunta pra mãe sobre isso. Levou um tapa na cara. A família toda muito religiosa.

O Brasil, país majoritariamente cristão e extremamente conservador, tem um dos maiores índices de abusos de crianças no mundo. Não é por acaso. A moralidade cristã faz da nossa população um bando de hipócritas compulsivos. O cristianismo é uma holding especializada em criar pecados e vender perdões. Como a máfia italiana - a propósito, muito devota - eles cobram pra proteger a população deles mesmos. Não venham culpar a performance. Não venham culpar o funk. Não venham culpar a arte. O Brasil cristão sempre gostou, e muito, de estuprar criancinhas. E sempre detestou ser lembrado disso. Se a arte faz alguma coisa é criar um plano de escape dessa moral venenosa.

Se alguém resolvesse seguir à risca as regras que o cristianismo impõe, não poderia viver em sociedade. Todo mundo sabe que não é viável. Mas o sistema que eles criaram é bem inteligente: não é viável, ninguém consegue, e é assim que as igrejas lucram. Dando culpa e vendendo conforto, dando culpa e vendendo conforto, como se fosse crack. Todo mundo faz, todo mundo finge que não viu o seu, todo mundo fica espionando os outros, todo mundo fica com medo de ir pro inferno, todo mundo precisa da igreja pra ser salvo, todo mundo fica aliviado, todo mundo começa a pecar de novo.

Há poucos meses um grupo de pais saiu às ruas de Rondônia querendo proibir um livro didático. O livro era de ciências. O motivo era uma ilustração de um pênis, no capítulo onde se tratava do aparelho reprodutivo. Uma das mães entrevistadas alegou que a ilustração era muito "avançada para a faixa etária do filho". Qual era a faixa etária? Chutem. 4? 5 anos de idade? Não, gente, 13. O filho dela tinha 13 anos e o livro era voltado ao 8º ano do ensino fundamental.

Agora, digamos que uma criança como esse menino sofresse um abuso - torço pra que não, embora as estatísticas concorram pra isso - como ele poderia contar isso pra uma bosta de mãe dessas, que prefere se convencer de que seu filho de 13 anos não sabe que tem pênis do que lidar com a realidade? É assim que os abusos se perpetuam. Pela moralidade. Essa moralidade torta, doente, autopunitiva, mentirosa, hipócrita, que encontra um prazer doloroso na culpa e na vigília dos pecados alheios.

Cada vez que eu vejo um comentário "em defesa das nossas crianças" eu tenho vontade de ir lá e chutar a boca da pessoa pessoalmente. Os brasileiros estão pouco se importando "as nossas crianças". Quando duas meninas são estupradas por oito homens adultos na Bahia, são chamadas de vagabundas e ameçadas até terem que mudar de cidade. Quando políticos administram redes de prostituição e tráfico infantil, se reelegem, são condenados e descondenados, ficam soltos. Quando os casos acontecem nas suas famílias, ficam em silêncio, preferem não falar nada. E se as crianças forem indígenas, pretas, pobres, nas periferias das cidades, são até capazes de dar uma risadinha safada. São uns bostas.

Falam "deixem as nossas crianças", "deixem as crianças serem crianças", "não falem de homossexualidade com as nossas crianças", "não deixem as nossas crianças saberem que corpo existe", "tirem sua arte de perto das nossas crianças". E largam as crianças ignorantes, sem saber de nada, reprimidas, com medo de si mesmas, de tudo, sem coragem de perguntar nada, de falar nada, vulneráveis. Fazem filhos por obrigação, não cumprem com a responsabilidade de entender e conversar com os filhos, não querem que ninguém converse, porque são preguiçosos demais pra lidar com isso. São uns bostas. Uns bostas que acham que as crianças são propriedade deles. Não mexam com os nossos impostos, não mexam com as nossas crianças. Pra eles é a mesma coisa, propriedade.

Tive uma babá que engravidou aos 16. O cara tinha uns 30 e poucos, era primo dela. Ela cuidava de mim quando eu tinha uns nove, oito anos. Falava de sexo o dia inteiro, sem parar. Sabia todas as piadas mais sujas, trazia as revistas pornográficas dos irmãos dela pra me mostrar. A gente ficava lendo os contos eróticos. Só que nem eu nem ela conseguíamos entender nada daquilo direito. A gente achava que pinto era oco, não conseguia entender direito onde entrava, achava que entrava por um buraco e saía por outro. Não tinha ninguém pra explicar. E nenhum dos dois fazia nenhuma relação entre aquilo e gravidez. Quando ela engravidou já não trabalhava mais lá em casa. Uns meses depois que o bebê nasceu encontrei com ela na rua. Ela me contou que foi descobrir só com sete meses. Achava que era verme. Mas não entendia como tinha acontecido. Não sabia que o cara fazer xixi dentro dela engravidava. Obviamente o cara sumiu da cidade, ela ficou com o bebê sozinha. Se tivesse abortado, seria chamada de assassina.

Uma menina de nove anos era estuprada pelo padrasto. Ficou grávida, de gêmeos. Uma menina de nove anos, pesando pouco mais de 30kg, grávida de gêmeos. O que os nossos bons cristãos, nossas famílias de bem fizeram? Se mobilizaram? Se mobilizaram sim, pra acabar com a vida da menina. Quando ela foi ao hospital abortar, amparada pela mãe e pelas duas situações legais em que o procedimento é permitido - gravidez decorrente de estupro E com risco de vida à gestante - estavam lá as nossas boas famílias, protestando, querendo impedir. Querendo fazer uma menina de nove anos levar até o final uma gravidez de risco, decorrente de um estupro, mesmo que ela morresse, porque aborto é assassinato. Assassinos são eles. E estupradores. E porcos. Como foi porco aquele pedaço de esterco mofado chamado Dom José Cardoso Sobrinho, Arcebispo do Recife, cuja única iniciativa diante do ocorrido foi pedir a excomunhão de todos os integrantes da equipe médica. Oferecer uma ajuda, um dinheiro? Se inteirar da situação? Criar um fundo pra beneficiar crianças vítimas de abuso? Nã-não. Excomunhão. É essa a contribuição que ele pode fornecer. E ainda tá vivo o desgraçado. Que morra com muita dor. Muita. São meus votos. Pra ele e pra cada um dos bandidos que foi pra frente daquele hospital protestar.

Agora eu não tenho dó de moralista. Não tenho um pingo de afeto. Se a gente quer dividir o mundo entre cidadãos de bem e degenerados, já escolhi o meu lado faz tempo. Ou escolheram pra mim, porque eu nunca ia aguentar aquele perfume barato de hipocrisia e desodorante masculino. Não quero conciliação com essa gente, quero guerra, quero treta. Quero estar nos pesadelos deles. Onde eu puder e onde eu estiver, vai ter guerra. Seja simbólica, seja jurídica, seja na porrada. Não vão ganhar, não têm a menor chance, porque são imbecis."

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Combater a pobreza virou coisa de esquerdista?


Hoje é o dia 17 de outubro: Dia Internacional para Erradicação da Pobreza. É um dia em que deveríamos, no mínimo, refletir sobre a situação de desigualdade do nosso país e do resto do mundo. Porém, parece que esta preocupação só está ligada às pessoas de esquerda. Digo isso porque enquanto a direita está preocupada com homem pelado num museu, com comercial de sabão em pó e com rabiscos em exposições; a esquerda está preocupada justamente com as injustiças sociais, com os miseráveis, com os trabalhadores e com as minorias oprimidas.
Daí que vejo, por isso, direitistas dizendo que a "esquerda quer tomar o monopólio das virtudes para si". Mas o que impede a direita de fazer o mesmo? Ao invés de ficar com esse discursinho conservador sem vergonha, por que a direita também não defende um mundo menos injusto? A esquerda não tem culpa da direita de hoje ter se tornado idólatra do mercado, entreguista, reacionária e demofóbica. Quais são as ações práticas que a direita tem dado como exemplo para dizer que fez algo pelos mais pobres?
Pelo visto, combater a pobreza e ter um pingo de amor pelo próximo virou coisa exclusiva de esquerdistas. Quem diria...


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Afinal, que mundo é este?


Não sei como tantos conseguem viver com a consciência tranquila em um mundo onde uns têm tudo e outros não têm nada. Onde uns incineram alimentos enquanto outros disputam com porcos comida apodrecida no lixo. Onde é proibido roubar comida, mas não é proibido morrer de fome. Onde a dor do homem branco é superestimada à medida que a dor da mulher pobre e negra é negligenciada. Onde os nossos sonhos são roubados por uma ilusão consumista e materialista. Onde trabalhamos como escravos para enriquecer os super ricos. Onde a produtividade e o lucro estão acima da felicidade e do bem estar das pessoas. Onde somos compelidos a competir uns contra os outros ao invés de vivermos como irmãos...
Que humanidade é esta? Que mundo é este? Será que devemos nos calar diante da brutalidade desta realidade desigual, cruel e assassina? Quantos de nós continuaremos a vender os nossos sonhos, a nossa felicidade, a nossa liberdade e as nossas vidas em troca de um mísero salário que mal paga as nossas contas? Foi para isso que todos nós nascemos?

É neste mundo que queremos continuar a viver?

Se você também se sente indignado com tudo isso, lembre-se de que você não está só – e que juntos podemos mudar o mundo para muito melhor. Basta acreditar e sair da zona de conforto. A mudança começa em cada um de nós. E o mundo pede por esta mudança.


"Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os frágeis e os excluídos sejam os que decidam. São os comunistas os que pensam como os cristãos."
(Papa Francisco)


domingo, 15 de outubro de 2017

Vai dizer que não foi golpe agora?


Para quem estava em outra dimensão e não ficou sabendo ainda, o operador financeiro Lúcio Funaro revelou em delação que repassou para o ex-deputado Eduardo Cunha a quantia de R$ 1 milhão para comprar votos a favor do impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Além das frágeis acusações que, segundo Tribunal Internacional, não constituíam crime responsabilidade contra a presidenta, agora temos uma delação que comprova o que as pessoas mais esclarecidas já sabiam: que o impeachment foi uma grande farsa para a gangue do PMDB chegar ao poder. Foi o Golpe de R$ 1 milhão!
Enquanto isso, Michel Temer segue impune de seus crimes sob o silêncio constrangedor das panelas e dos empanados auriverdes. Parece que para certas pessoas, é melhor ser roubado pelo PMDB do que pelo PT. 


sábado, 14 de outubro de 2017

A inocência de Ciro Gomes


Sejamos francos: Ciro é um cara inteligentíssimo, correto, honesto, trabalhador, extremamente preparado, competente, determinado. Porém, às vezes flerta com uma inocência que me faz questionar quais são as suas reais intenções. O modelo de governo progressista e nacionalista proposto por ele não faz parte dos planos da burguesia para este país. As classes dominantes não deram um Golpe de Estado contra a Dilma para permitir um novo governo de centro-esquerda no poder. O único governo que será permitido pela nossa plutocracia pelos próximos anos é um governo voltado para o mercado e para os interesses estrangeiros. Ou você abraça o neoliberalismo, ou será sumariamente arrancado da presidência da república.


A proposta ideal para um progressista que realmente deseja mudanças estruturais no sistema é a reformulação radical das bases políticas deste país que deve ocorrer através de uma nova constituinte voltada para os interesses do povo – e não apenas da burguesia. Não adianta trocar o presidente mantendo a essência elitista da nossa semidemocracia representativa, porque o sistema inteiro está corrompido – aliás, o sistema inteiro foi construído para favorecer à corrupção do mercado: corrupção esta que quase nunca é noticiada, porque envolve os magnatas que controlam o poder. A atual democracia é, na verdade, um fetiche da esquerda moderada, porque, lá no fundo, essa esquerda não quer que este sistema mude. Democracia verdadeira tem que ser construída por e para os trabalhadores, que são aqueles que produzem a riqueza de um país através da sua força de trabalho. A nossa democracia burguesa não respeita o voto popular. Se um governo não agradar aos grandes capitalistas, a alta burguesia – através dos seus lacaios (políticos, militares e juízes) – sempre irá destituí-lo sem o menor pudor. Foi assim com Allende, Jango, Lugo, Dilma e será também com um Ciro. Achar que os nossos oligarcas irão criar juízo e pensar no lucro a longo prazo é uma tolice.


Portanto, reitero: Ciro é uma espécie de candidato ideal na teoria, porque na prática, a sua candidatura já traz o germe do fracasso na raiz. E mesmo que hipoteticamente Ciro conseguisse se manter no poder, dificilmente conseguiria governar porque seria atacado e sabotado 24 horas por dia pela imprensa e pela oposição carniceira. Se querem realmente um democracia, então temos que começar a fazer as coisas direito desde as suas bases. Remendos numa democracia burguesa nunca resolverão as mazelas sociais deste país.

"Dessa Constituinte eu não espero muita coisa...porque é uma farsa...Existe todo um esquema em cima para que se faça uma Constituinte que tenda aos interesses de quem já está sendo beneficiado pelo atual sistema" 
(Dr. Mao, vocalista da banda punk Garotos Podres, em 1988)

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A direita de hoje é uma piada


A direita brasileira de hoje é uma caricatura mal rabiscada da direita de algumas décadas atrás. A direita de hoje é revisionista, invejosa, antinacionalista, desleal, mentirosa e odienta. Não se veem mais nomes como Eneas ou Sérgio Bueno, que apesar de serem intrinsecamente conservadores no campo moral e defensores ferrenhos do capitalismo, tinham dignidade, empatia, amor à pátria e bom senso. A direita de hoje é golpista, carniceira e sem vergonha. Ela odeia o próprio país e vive numa paranoia ridícula por medo de um comunismo feérico que só existe na cabeça macarthista de gente que nunca pegou num livro de história. Essa direita tóxica, rabugenta e tacanha vive de uma militância paga (onde entram os think tanks) que age como capitã de mato do imperialismo nas redes sociais com a intenção de alienar e disseminar todo tipo de teoria conspiratória.
Enfim, a direita de hoje, se não fosse tão perigosa, seria excelente para fazer parte de um livro de piadas de mal gosto.

A direta de ontem versus a direita de hoje (clique para ampliar)

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A TV Colosso está de volta!


Quem foi criança nos anos 90 deve se lembrar com uma certa nostalgia da TV Colosso. Enfim, vinte anos após sair do ar, para alegria da criançada crescida, a TV Colosso finalmente está de volta! O canal PlayKids Brasil trouxe um quadro em 2016 chamado Priscila Show, onde os mesmos personagens e os mesmos dubladores da antiga TV Colosso retornaram em novos quadros. E como hoje é dia das crianças, nada melhor que comemorar este dia matando a saudade daquela época. Inclusive, aproveitei a oportunidade para comer um chocolate Lollo enquanto assisti Priscila, Gilmar, Capachão e sua turma me fazendo dar aquele sorrisão de orelha a orelha exatamente como era nos meus tempos de criança.

A seguir, um dos vídeos da nova TV Colosso:

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O capitalismo é coisa do passado


É fato: o capitalismo um dia vai chegar ao fim. As contradições e os problemas do sistema capitalista são inevitáveis e autodestrutivos. Não há como manter por séculos e séculos um sistema que se alimenta da exploração humana, da desigualdade e da destruição do meio ambiente. Não estou dizendo isso por ser de esquerda, mas sim porque tudo que tem um começo, tem um fim – ainda mais um sistema derradeiro como o capitalismo. O capitalismo já mostra claros sinais de debilidade e não é mais possível esconder as suas mazelas numa época onde a informação transita livremente via internet. Apesar do socialismo ser um sistema muito mais justo e humano que o capitalismo, também não creio ser este o modo de produção do próximo século. O que está se desenhando graças ao avanço da tecnologia é a criação de um grande sistema autônomo e autossustentável onde a inteligência artificial trabalhe por nós. Já temos robôs pilotos, robôs agricultores, robôs cirurgiões, robôs soldados e uma infinidade de máquinas autônomas que realizam trabalhos diversos tanto na indústria quando nas residências. Isso é maravilhoso porque abre a possibilidade de não precisarmos mais trabalhar. Isso nos daria mais tempo livre para vivermos com a família, com os amigos, com o nosso self e com a natureza. Imagine quantas horas sobrariam para a gente fazer o que gosta se ninguém precisasse mais trabalhar? Viver nessa nossa paranoia de trabalhar dezenas de horas por semana em prol do regozijo do mercado é um absurdo que deve morrer já neste século atual. Viver uma vida de escravo de um salário, de estresse, de compromissos maçantes e de esgotamento físico e mental destrói a nossa qualidade de vida. Precisamos de mais ócio criativo, de mais sexo, de mais amor, de mais lazer, de mais afeto, de mais amizades, de mais sono... Trabalho não dignifica o homem porcaria nenhuma. O que dignifica as pessoas é a felicidade, o bem-estar e a capacidade de colocar sorrisos nos rostos das pessoas.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Cadê os herois da direita?


A direita brasileira é tão pobre intelectualmente que a única diversão que a resta é atacar os ícones falecidos da esquerda. Alguns jornais da imprensa corporativa, como a Falha de S.Paulo, por exemplo, resolveram comemorar os 50 anos da morte de Che com artigos difamatórios e cheios de sofismas. E os argumentos da mídia burguesa contra Che são sempre os mesmos: "psicopata", "assassino", "homofóbico" e outros rótulos clichês de quem aderiu ao senso comum. O que os colunistas desses jornais burgueses não falam é sobre a situação de miséria e humilhação ao qual o povo cubano foi submetido durante a ditadura de Fulgencio Batista. Também não é revelado o caráter genocida do imperialismo norte-americano que foi chutado de Cuba logo após a Revolução. A mídia burguesa também deve achar honesto esconder dos seus leitores que o turismo sexual infantil em Cuba sequer era combatido antes da Revolução. Se não fosse pela Revolução, Cuba hoje seria mais um paiseco destruído pelo capitalismo predatório e pelo imperialismo implacável do Tio Sam.


Enfim, a necessidade mórbida que a direita tem de atacar os ícones da esquerda só mostra que ela não possui qualquer herói para exaltar. A direita só possui inveja, ambição, rancor e lábia para ludibriar os incautos. Que heróis a direita tem para estampar em camisetas? Pinochet? Ustra? Mussolini? Thatcher? Bolsonaro? E antes que eu esqueça: Che foi um herói que ajudou na luta contra toda essa opressão e desumanidade imposta pelo sistema capitalista que perdura até os dias atuais. Apesar de Che não ter sido santo, sabemos que não se pode lutar contra uma tirania mega brutal com demagogia ou palavras de amor. Além disso, como citou o próprio Che certa vez: violentos são os que impõem a desigualdade, e não os que lutam contra ela.


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Heterossexualidade é a maior viadagem


Pode perceber que o homem homossexual é muito mais livre e normal que qualquer homem heterossexual. O homem hétero é cheio de frescuras: não pode usar a cor rosa, não pode falar fino, não pode chorar, não pode demonstrar fraqueza, não pode demonstrar afeto por outros homens, não pode achar outros homens bonitos e ainda tem que fazer um monte de coisas idiotas só para provar que é "macho". Não é à toa, por isso, que a palavra "gay" é sinônimo de felicidade, já que os gays são livres desse monte de imbecilidades. O movimento LGBT existe para libertar toda a humanidade – e não apenas os homossexuais e transexuais. Portanto, caro amigo heterossexual, vamos ser mais gays e menos masoquistas. Chore, rebole, use cor de rosa, pinte as unhas, ouça Lady Gaga e se orgulhe de ser mais macho que os homofóbicos que morrem de medo de virar gays só porque viram dois homens andando de mãos dadas na rua. Nós, homens, precisamos aprender a ser livres e felizes. Destrua os tabus, os preconceitos, os mitos e viva uma vida mais cheia de cores e amores.

Namastê!

Viva a evolução!

domingo, 8 de outubro de 2017

Guest Post: Os planos imperialistas para o Brasil


Quem conhece este blog sabe que eu não gosto muito de publicar textos de terceiros, mas alguns textos são tão espetaculares que eu faço questão de deixá-los registrados neste espaço. E o texto que vou deixar desta vez, do colunista Fábio de Oliveira Ribeiro, do jornal GGN (original aqui), trata sobre os planos imperialistas norte-americanos de ataque à soberania do Brasil ao longo dos séculos. O artigo revela o porquê de toda esta loucura que vem acontecendo com o Brasil e dos planos maquiavélicos da direita ianque para o nosso país. Vale a pena ler:


"Em texto publicado aqui mesmo no GGN, Fernando Horta questiona os planos da extrema direita para o Brasil. Tenho a impressão de que ele se esqueceu de algo importante: o projeto da direita norte-americana para nosso país.

Durante o império, a direita norte-americana tentou fragmentar o território nacional. Refiro-me obviamente Confederação do Equador. Episódio sangrento da história brasileira, a conspiração separatista de 1824-1831 foi apoiada pelos EUA e resultou na prisão e execução de um norte-americano no Rio de Janeiro. Duas décadas depois, os EUA cogitaram roubar a Amazônia do Brasil.

A direita norte-americana favoreceu Solano Lopez na Guerra do Paraguai e, em maio de 1868, o Duque de Caxias proibiu que o navio de guerra Wasp dos EUA furasse o bloqueio do Rio da Plata. A insistência dos EUA quase provocou uma guerra entre brasileiros e norte-americanos. A desforra por esta afronta ocorreu quando da rebelião da esquadra brasileira, oportunidade em que a marinha dos EUA apoiou o regime de Floriano Peixoto e consolidou a república dos patriotas.

O exército dos EUA cogitou invadir o Nordeste durante a II Guerra Mundial, usou seus prepostos brasileiros para atacar ferozmente Getúlio Vargas nos anos 1950, fomentou e apoiou os golpes de 1964 e de 2016. Há décadas o império racista dos olhos azuis tem sabotado toda e qualquer iniciativa que leve à modernização das forças armadas brasileiras, especialmente a construção de uma Marinha de Guerra que seja digna deste nome. Não por acaso nosso submarino nuclear foi afundado antes de ser lançado ao mar pela Lava Jato (uma operação capitaneada por Sérgio Moro, juiz formado nos EUA e premiado pela direita norte-americana).

Historicamente o projeto da direita norte-americana para o Brasil sempre foi o mesmo e me parece evidente: guerra civil e fragmentação territorial. Até 2014 este projeto havia conseguido se impor apenas de maneira parcial (em 1932 ele foi derrotado com o uso da força bruta), mas a segunda vitória de Dilma Rousseff acirrou os ânimos e fortaleceu os idiotas que odeiam o Brasil e pregam a separação do sul/sudeste do nordeste do resto do país. O recente sucesso da caravana de Lula pelo Nordeste levou muitos entusiastas do lulismo defender nas redes sociais a separação do norte/nordeste do restante do Brasil.

Em maio comparei o golpe de 2016 à Confederação do Equador. A comparação ainda me parece pertinente. Em agosto voltei ao assunto, em virtude do aprofundamento da crise política, social, econômica e militar que ameaça o país.

As forças econômicas, políticas, sociais e culturais que forjavam um mínimo de coesão nacional e garantiam a integridade territorial foram destruídas pela direita norte-americana. Portanto, este é um projeto importante que merece ser discutido. Desgraçadamente, nem mesmo intelectuais do galardão de Bresser Pereira ousam fazer isto. No projeto de nação que ele concebeu não há uma só palavra sobre a ameaça interna provocada pela pressão externa pelo controle do nosso petróleo, água, florestas, recursos minerais, etc.

Enquanto perdemos nossa identidade, a direita norte-americana avança sobre nossas instituições. A PF já foi transformada numa espécie de DOPS da Embaixada dos EUA. O MPF e a Justiça Federal comprometeram o crescimento econômico do Brasil ao destruir segmentos inteiros da indústria nacional (estaleiros que prestavam serviços à Petrobras, construtoras, indústria alimentícia, etc.). A reação dos partidos políticos é modesta e envergonhada e os militares fazem de conta que o país não corre qualquer risco muito embora esteja sendo riscado do mapa.

Se alguém quer rediscutir a nação terá que necessariamente discutir o crescimento assustador da presença dos EUA no Brasil. Caso contrário, seguiremos afundando no vira-latismo de procuradores-pastores como Dallagnol, que tece elogios rasgados aos norte-americanos e ofende nossos ancestrais brasileiros."

sábado, 7 de outubro de 2017

De volta para a Idade Média 2


Qualquer pessoa minimamente observadora já percebeu que o Brasil de 2017 se parece muito com a Europa medieval. É proibição de "roupas indecentes" em repartições públicas, ensino religioso confessional nas escolas públicas, censura a eventos artísticos "imorais" em museus, cura gay autorizada pela justiça, a bancada evangélica ganhando cada vez mais força, crença na Terra plana se tornando cada vez maior... Só rindo mesmo para não chorar desse verdadeiro desastre. Conseguimos a façanha de voltar ao passado sem nem precisar construir uma máquina do tempo.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O governo Temer é um deboche total com o país


Engraçado lembrar do pessoal que dizia que pior que estava não tinha como ficar quando Dilma Rousseff alcançou 9% de aprovação no seu governo. Hoje, para calar essa gente, Michel Temer conseguiu obter o pior nível de aprovação que um presidente da República já teve desde a redemocratização. Nem mesmo o governo Sarney com aquela inflação imoral conseguiu ser tão impopular. Para se ter uma ideia, na última pesquisa do Datafalha Datafolha, Temer obteve míseros 2% de aprovação, sendo que 2% é a margem de erro da própria pesquisa. O Brasil provavelmente nunca teve um presidente tão impopular e corrupto em toda a sua história. Mas o pior nem é isso. O pior é que todos nós estamos pagando as contas para que o próprio Temer permaneça no poder longe das garras da justiça.


Aí depois vem o coxinha e o isentão dizendo que a culpa de Temer está aí é de quem votou na Dilma – como se eles não soubessem quem assumiria o cargo após o Golpe apoiado por eles. E eu, pelo menos, não fujo da responsabilidade, porque assumo que votei na chapa Dilma/Temer para que ambos adotassem o plano de governo progressista proposto nas eleições. O que Temer fez foi trair seus eleitores, golpeando a presidenta, e adotando justamente o plano de governo neoliberal derrotado nas urnas. Temer é fruto do fisiologismo, da corrupção e da falta de compromisso com a democracia vindos das nossas oligarquias. Para isso não tem MBL, nem Vem Pra Rua, nem Revoltados on Line e nenhum fascistinha hipócrita de YouTube para protestar. Essa gente, como bem disse um procurador da Lava Jato, não estava contra a corrupção, mas apenas contra o governo do PT. E depois é a esquerda que é conivente com a corrupção...

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Terra plana refutada definitivamente


Para desespero dos terraplanistas, o canal Poligonautas publicou vários vídeos no YouTube refutando de maneira didática, concisa e definitiva a hipótese destrambelhada da Terra plana.
A seguir deixo dois vídeos do canal que destroem totalmente os argumentos dos terraplanistas:



quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Resumo do Brasil de 2017


Como hoje estou sem tempo algum para postar, resolvi então deixar uma reflexão que achei nas redes sociais que resume bem o nosso país neste infeliz ano de 2017:


terça-feira, 3 de outubro de 2017

A falácia de redução ao comunismo


Depois que a imprensa golpista, a oposição canalha e as federações patronais instigaram a derrubada do governo da presidenta Dilma, os coxinhas sentiram-se no direito de sair do armário para por para fora tudo aquilo que estava entalado na goela deles desde o fim da ditadura militar. E uma das falácias mais usadas por esses coxinhas desde então é a falácia que nomeei de 'redução ao comunismo'. Esta falácia consiste, basicamente, em enquadrar tudo que os reaças não gostam como sendo "comunista" ou "de esquerda". Não gostavam do PT, então o PT era comunista. Não gostam de direitos humanos, então direitos humanos viraram coisa de esquerdista. Não gostam de arte, então arte virou coisa de comunista (e pedófilo) também. Não gostam dos movimentos de minorias (feminista, LGBT e negro), então é tudo coisa de marxista cultural. São contra a regulamentação da maconha, então maconha é coisa de comunista safado. São contra o nazismo, então o nazismo também tem que ser de esquerda. Ou seja: a esquerda virou o grande bode expiatório para a nossa direita fascista.


Note que essa falácia de redução ao comunismo é tão babélica que mesmo coisas que não tem nada a ver com a esquerda são taxadas de comunismo, como ocorreu com a bandeira do Japão. Isso tudo é culpa daquele filósofo de araque que parou de estudar na quarta série e ficou famoso por ser idolatrado por toda a escória fascista da internet. Segundo o tal filósofo, que na verdade é astrólogo e recentemente foi desmascarado pela própria filha, o Brasil sempre esteve sob uma "ameaça comunista" que veio com o PT, com as escolas gramscianas e com o Foro de São Paulo. Mesmo com a Guerra Fria tendo terminado há mais de duas décadas, os palermas seguidores do astrólogo continuam disseminando os riscos do Brasil virar uma nova Cuba. E daí que foi neste contexto de neomacarthismo que surgiu essa nova falácia. Essa história tresloucada e paranoica de ver comunismo em tudo foi que ajudou a demolir a democracia brasileira e está sendo responsável por legitimar o governo neoliberal e cleptocrata que está no poder.


Portanto, se você tem cérebro, por favor, evite usar essa falácia, porque ela é muito feia, tosca e ignóbil.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O atirador de Las Vegas e as conclusões precipitadas


No post passado, eu expliquei porque os videogames são uma verdadeira terapia para controlar a violência e critiquei também essa gente de mente fechada que acha que games estimulam a violência. E, por ironia do destino, ontem, logo após publicar esse post, os EUA sofreram um banho de sangue causado por um atirador. Um psicopata matou mais de 50 pessoas e feriu mais de 500 durante um show em Las Vegas. Note que sempre que ocorrem esses massacres, a primeira coisa que muita gente faz, erroneamente, é tirar conclusões equivocadas sobre o que motivou o atirador. E, como sempre, os videogames são sempre colocados sob suspeita nesses casos por gente que, muitas vezes, nunca jogou nada na vida. Temos que considerar que ainda é cedo para concluir de forma taxativa sobre o que motivou o assassino. A polícia dos Estados Unidos é que vai investigar para descobrir as reais causas dessa tragédia. Nem videogame, nem religião, nem política podem ser culpados sem que antes sejam encontradas evidências cabais. Mas, ao que tudo indica, o assassino devia ser um homem doente e desequilibrado, porque não há razão que justifique uma pessoa normal fazer o que fez. Nenhuma pessoa em sã consciência pega várias metralhadoras e sai matando gente por aí. Da mesma forma que outros casos de atiradores não tinham nada a ver com videogames, filmes ou quadrinhos, dificilmente terá agora. Achar bodes expiatórios neste momento é uma forma irresponsável de fugir das reais causas do crime.

O que nos resta no momento é nos solidarizarmos com as famílias das vítimas.

domingo, 1 de outubro de 2017

Eu podia tá matando e roubando, mas tô jogando GTA


É impressionante como em pleno século XXI ainda possa existir gente que pense que os videogames disseminam a violência. Os videogames são, na verdade, a maior catarse já inventada pelo homem para que as pessoas extravasem a sua violência ancestral em ambientes virtuais e seguros de forma sadia. Um cara que promove um genocídio dentro de games como o GTA está se divertindo à beça e, de quebra, deixando de fazer coisas erradas no mundo real. Um criminoso num joguinho de mentira é muito menos perigoso para sociedade que um criminoso real solto nas ruas, não concorda?
Então toda vez que algum mal humorado vier com essa história de que games aumentam a violência, só é repetir o mantra sagrado: Eu podia tá matando e roubando, mas tô jogando GTA. Aí manda esse povo cafona deixar de caretice e chamem esses mal humorados pra uma partidinha para ver se eles não desestressam e deixam de ser ranzinzas.
A solução para acabar com a violência não é mais armas, mais repressão, mais polícia... Nada disso. A solução é mais videogames. O videogame cria uma escapismo e uma válvula de escape que não tem tratamento no mundo que consiga fazer igual.
Mais GTA e menos ranzinzice: é disso que o mundo precisa.

Vai me dizer que o mundo real é mais divertido que isso...

sábado, 30 de setembro de 2017

Cuba é capitalista ou socialista?


Muita gente tem me perguntado o que Cuba é afinal de cotas. Cuba seria socialista ou capitalista? Qual seria o modo de produção cubano? Esse questionamento existe porque ainda há uma confusão muito grande sobre como Cuba funciona devido à forma distorcida como a nossa imprensa costuma tratar o país. Então vamos lá...

Cuba não é nem socialista e nem capitalista. Aí você se pergunta: "como assim?". E eu respondo: Cuba não se enquadra nem em um sistema propriamente dito e nem em outro. O que acontece em Cuba é algo único. Esse negócio de socialismo e capitalismo é uma falsa dicotomia herdada lá do século passado devido à Guerra Fria. No século XX, depois de 1959, Cuba, por estar ideologicamente próxima à URSS, era considerado um país socialista. Porém, hoje, num mundo despolarizado e monopolizado pelo capitalismo financeiro, Cuba é uma nação híbrida politicamente falando. Cuba está naquele estágio de transição do capitalismo para o socialismo (mais perto do socialismo do que do capitalismo). Daí que alguns autores se referem a Cuba como tendo um "capitalismo de Estado", outros como "socialismo cubano" e outros ainda como "socialismo de Estado". Eu, usualmente, prefiro o termo socialismo de Estado para se referir ao país, porque o socialismo cubano não tem a classe proletária como protagonista. Os meios de produção são propriedade do Estado que, apesar de simbolicamente pertencerem aos cubanos, na prática, quem os controla é a família Castro. E justamente devido a essa apropriação dos meios de produção pelo Estado, podemos dizer que Cuba está mais perto do socialismo de Estado do que do socialismo propriamente dito teorizado por Marx.
Já as características do capitalismo são muito minimizadas em Cuba. Apesar das recentes liberdades econômicas dadas aos cidadãos cubanos, lá você não tem aquelas mazelas típicas do capitalismo, como desigualdades abissais, a classe burguesa roubando a classe trabalhadora através da mais-valia, a escravidão do salário, o rentismo parasitário e nem a violência decorrente das injustiças sociais. Se Cuba não sofresse o embargo econômico criminoso imposto pelos Estados Unidos, hoje seria uma espécie de Suíça no meio do Caribe. E leia bem: talvez Cuba fosse um país capitalista hoje se não fosse pelo embargo, porque o bloqueio econômico fez Fidel Castro teimar ainda mais em manter o país sob o mesmo regime desde a Revolução.


Mas enfim, seja lá como você goste de se referir a Cuba, a única certeza que temos é que os pobres de lá vivem bem melhor que os pobres de cá. Pelo menos nisso os irmãos Castro acertaram.